Foi o vento que selou
num sopro só o canto dos pássaros
os quais aclamavam o dia que nascera.
Pois da noite estavam cegos, escuridão no olhar
onde permanecia o uivo do coite que procura companhia.
Tecer nos anos longos, caminhos que marquem
uma imagem póstuma em razão de ser sepultado
se na verdade a alma não perece em vão
pois da carne para o pó terá a resposta
ao espírito que vaga
em busca da luz que o levará a a eternidade.
Assim beije a vida como ela for
não morda seus lábios
mesmo que ressequidos pelo tempo.
Abrace-a como ela se apresentar
não bata-lhe na cara mesmo que apresente calos
nos encalços dos momentos difícieis,
porque terá então como companhia a servidão.
Tenha perdão no seu interior
para que no exterior possa refletir compreenção
e sonhe, mesmo que acordado
pois assim terás chegado ao princípio da vida...
O amor, simples e puro amor.
F.S. 28.08.87
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