Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração.
Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada,
de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um
grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo
e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão.
Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro,
nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e,
no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa.
Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo.
Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.
Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado
de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das
recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar
o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e
da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados,
de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas
porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não
se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros
sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda
se vive.
Vinicius de Moraes
Poesias, pensamentos e reflexões internas. E tudo mais que minha mente permitir.
17 de dezembro de 2011
Visão Gaúcha
Visão Gaúcha
Vejo ao caminho dos anos
Que as coxilhas mostram ao taura
Sem que se mostre pouco fulgaz e inquieto.
Apresenta do dia em que o sol queima,
mas que revela coragem diante do mais ímpeto
e arrojado desafio.
Seja como o tocar da viola,
o lema de ser homem.
Para que nas águas correntes
possa-se lavar o rosto quente.
E com o coração ditar a verdade
esquecida pela saudade
e sempre na esperança de não
esquecer de onde nasceu.
Fernando Serrrate
Vejo ao caminho dos anos
Que as coxilhas mostram ao taura
Sem que se mostre pouco fulgaz e inquieto.
Apresenta do dia em que o sol queima,
mas que revela coragem diante do mais ímpeto
e arrojado desafio.
Seja como o tocar da viola,
o lema de ser homem.
Para que nas águas correntes
possa-se lavar o rosto quente.
E com o coração ditar a verdade
esquecida pela saudade
e sempre na esperança de não
esquecer de onde nasceu.
Fernando Serrrate
4 de dezembro de 2011
Sim, sei bem
Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.
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